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Martin Luther King

 Martin Luther King Junior foi um pastor batista que nasceu na Geórgia e ficou conhecido como um dos grandes líderes do movimento dos direitos civis que lutava contra a segregação racial nos Estados Unidos durante as décadas de 1950 e 1960. Defendia a desobediência civil e a não violência sendo assassinado em Memphis, no ano de 1968.

Nascimento e juventude

Martin Luther King Junior nasceu na cidade de Atlanta, na Geórgia, no sul dos Estados Unidos, no dia 15 de janeiro de 1929. Ele era filho de um pastor batista chamado Martin Luther King, enquanto sua mãe chamava-se Alberta William King. Martin Luther King Jr. teve dois irmãos: Christine e Alfred Daniel.

O pastor batista Martin Luther King Junior foi um dos líderes da luta antirracista nos Estados Unidos durante as décadas de 1950 e 1960.[1]
O pastor batista Martin Luther King Junior foi um dos líderes da luta antirracista nos Estados Unidos durante as décadas de 1950 e 1960



O nome original dado a Martin Luther King Jr. foi Michael King Jr., alterado em 1935, quando tinha seis anos, por seu pai. A mudança do nome deveu-se a uma viagem que seu pai fez à Alemanha, em 1934. Seu pai chamava-se Michael King Sr., e, além de alterar o nome do filho, ele alterou o próprio nome, passando a chamar-se Martin Luther King Sr. A mudança era uma homenagem ao reformador Martinho Lutero.

Como era de se esperar, a educação de Martin Luther King Jr. foi bastante religiosa, e ele cresceu em uma família de boa condição financeira que ocupava uma posição na classe média. Na sua infância, ele estudou em um colégio específico para estudantes negros, o Yonge Street Elementary School.

Com 19 anos, Martin Luther King Jr. formou-se em Sociologia, no Morehouse College, em Atlanta. Aos 25, ele obteve doutorado em Teologia pela Universidade de Boston, onde havia ingressado em 1951. Nesse processo de formação humanística, ele teve contato com os ideais de desobediência civil e os protestos pacíficos feitos por Gandhi na Índia.

No que se refere à vida religiosa, a vocação de Martin Luther King Jr. começou cedo. Aos 19 anos, ele foi ordenado ministro, e, em 1954, aos 25, foi ordenado para ser pastor da Dexter Avenue Baptist Church, na cidade de Montgomery, no Alabama, um dos estados mais racistas dos Estados Unidos na época.

Vida pessoal

Durante o período em que estudou em Boston, Martin Luther King conheceu a musicista Coretta Scott. Quando Coretta o conheceu, esteve um pouco receosa quanto ao interesse dele por ela, porque ela não queria envolver-se com um ministro. Esse receio foi superado, e o relacionamento dos dois resultou em um casamento em 18 de junho de 1953.

Do casamento de Martin Luther King e Coretta Scott, nasceram quatro filhos: Yolanda, Martin Luther King III, Dexter e Bernice. Eles permaneceram casados até 1968, quando King foi assassinado, e Coretta foi um grande suporte para seu marido nos anos em que ele esteve engajado na luta contra o racismo.

Ainda assim, Coretta sofreu com a infidelidade do marido. Martin Luther King manteve casos extraconjugais ao longo de sua vida, e isso foi explorado pelo FBI, serviço de investigação dos Estados Unidos que executou uma campanha de difamação do líder religioso. Mesmo após ter descoberto os casos de seu marido, Coretta não se divorciou dele.

Ativismo

Na década de 1950, Martin Luther King ingressou na militância antirracista. Os Estados Unidos ainda eram um país extremamente racista, e uma série de direitos eram negados aos negros, sobretudo no sul. Nessa década, King já atuava na Associação Nacional para o Progresso das Pessoas de Cor (NAACP, sigla em inglês).

A grande virada na vida de Martin Luther King aconteceu quando ele e outros membros do NAACP resolveram transformar o caso de Rosa Parks em um grande boicote contra a segregação de negros nos ônibus em Montgomery, no Alabama. O boicote resultou no fim da segregação racial em todo o país, em 1956.

Isso deu projeção nacional para Martin Luther King, e ele se tornou um grande nome do movimento dos direitos civis, que lutava contra a segregação racial nos Estados Unidos. A projeção como liderança negra fez de King um alvo, e ele passou a receber ameaças frequentes de supremacistas.

Martin Luther King continuou engajado na luta antirracista nos Estados Unidos, e um símbolo disso foi quando fundou a Conferência da Liderança Cristã do Sul (SCLC, em inglês), em 1957. Essa instituição era formada por ministros e pastores negros e teve atuação muito importante na luta pelos direitos civis dos negros.

Martin Luther King foi um forte defensor da desobediência civil, portanto, da realização de protestos baseados no princípio da não violência. Essa tática dividiu o movimento negro, dado que existiam aqueles, como Malcolm X, que defendiam que os negros deveriam reagir com violência perante a violência do Estado.

O discurso mais famoso de Martin Luther King Jr. foi pronunciado das escadarias do Memorial Lincoln, em Washington.[2]
O discurso mais famoso de Martin Luther King Jr. foi pronunciado das escadarias do Memorial Lincoln, em Washington.[2]

De toda forma, King liderou dezenas de protestos em que os manifestantes atuavam de maneira não violenta. Um deles aconteceu em Birmingham, no Alabama, em abril de 1963, e as imagens da violência policial contra os manifestantes correram os Estados Unidos. Essa tática contribuía para conquistar apoiadores para a sua causa, visto que negros e muitos brancos indignavam-se com a resposta violenta das forças policiais.

Ainda em 1963, Martin Luther King protagonizou um dos momentos mais simbólicos da luta pelos direitos civis nos Estados Unidos. Ele liderou 200 mil pessoas, que marcharam para Washington e reuniram-se para ouvir um dos discursos mais icônicos do pastor batista: I have a dream (Eu tenho um sonho, em uma tradução livre).

Esse discurso foi feito em 28 de agosto de 1963, nas escadarias do Memorial Lincoln, e nele, Martin Luther King, reconhecido como um grande orador, anunciou:

Eu tenho um sonho que minhas quatro pequenas crianças vão um dia viver em uma nação onde elas não serão julgadas pela cor da pele, mas pelo conteúdo de seu caráter. Eu tenho um sonho hoje!


Últimos anos

ano de 1963 representou o auge de Martin Luther King como líder do movimento pelos direitos civis. Foi quando ele foi nomeado Personalidade do Ano pela revista Time e conquistou um Nobel da Paz.

A partir daí, os problemas de saúde, as ameaças e as dissidências internas contribuíram para que o pastor batista se afastasse um pouco das posições de protagonismo. Ainda assim, ele era um nome muito importante na militância antirracista nos Estados Unidos.

Martin Luther King engajou-se em manifestações contra a Guerra do Vietnã e atuou contra a pobreza nos Estados Unidos. Era vítima de ameaças frequentes e também foi vítima da campanha de difamação promovida pelo FBI e seu chefe, J. Edgar Hoover. Atribuem-se ao FBI e a J. Edgar Hoover ações de chantagem contra King, no caso dos adultérios.

O FBI procurou explorar o histórico de depressão de King, e, durante as ações de chantagem, o pastor batista recebeu uma carta que teria o incentivado a cometer suicídio. A atuação do FBI para destruir a reputação do pastor batista foi divulgada em um relatório do Senado na década de 1970.

No dia 4 de abril de 1968, Martin Luther King estava na sacada de um hotel em Memphis, Tennessee, quando foi atingido por um tiro no rosto que o levou a óbito uma hora depois. Ele estava na cidade para apoiar uma greve de trabalhadores. Quando faleceu, King tinha apenas 39 anos.

O tiro teria sido dado por James Earl Ray, que confessou o crime, mas voltou atrás na sua confissão. Um relatório elaborado no Tennessee aponta que a morte de Martin Luther King contou com o envolvimento de membros do governo norte-americano. Entretanto, não existem provas substanciais disso, e o assassinato do pastor militante ainda é um grande mistério.

Créditos das imagens

[1] Uncle Leo e Shutterstock

[2] Kamira e Shutterstock

Por Daniel Neves Silva

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