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A Dissolução da Iugoslávia

 A dissolução da Iugoslávia se assemelha muito ao fim da URSS. Blocos socialistas acabam por perder forças ao final do século XX. Estes, no que lhe concerne, acabam separando-se, originando novas nações.

Em 1945, sete países do Leste europeu encontravam-se na zona de influência da URSS – Bulgária, Romênia, Polônia, Iugoslávia, Tchecoslosváquia, Hungria e Albânia – mais a parte oriental da Alemanha. Toda essa região havia sofrido duramente com a ocupação nazista e  precisava se recuperar.

Logo depois da Segunda Guerra, em vários desses países foram constituídos governos de coalizão, reunindo setores da sociedade que haviam participado dos movimentos de resistência à ocupação nazista. Os governos conseguiram superar as divergências internas e elaborar um programa mínimo para a reconstrução de seus países.

dissolução da Iugoslávia
Mapa após a dissolução da Iugoslávia. (Imagem: Reprodução)

Em geral, esses programas previam a nacionalização de setores da economia e a redistribuição das terras ocupadas pelos nazistas e seus colaboradores, além daquelas pertencentes aos proprietários que haviam abandonado o país.

A Iugoslávia constituiu um caso à parte no Leste europeu. A expulsão dos nazistas foi obra dos próprios iugoslavos, comandados por seu maio líder, Josip Broz Tito, o marechal Tito.

Apoiado principalmente pelo pequeno campesinato, o movimento de libertação, à medida que avançava, promovia o confisco de propriedades e a reforma agrária.

Assim, o estabelecimento do Estado socialista da Iugoslávia ocorreu paralelamente à luta contra a ocupação nazista e seus colaboradores.

Imagem: Reprodução

Em janeiro de 1946, uma Assembleia Constituinte proclamou a nova forma de organização da Iugoslávia. A monarquia, abolida durante a Segunda Guerra, deu lugar a seis repúblicas: Sérvia, Croácia, Eslovênia, Bósnia-Herzegovina, Macedônia e Montenegro.

A Sérvia reunia em suas fronteiras duas províncias autônomas, uma delas Kosovo, onde a maioria da população era de origem albanesa.

Apoiando-se em sua enorme popularidade, Tito procurou seguir uma orientação independente de Moscou. Ao contrário dos soviéticos, os iugoslavos promoveram a descentralização política e administrativa, dando prioridade à gestão local e reduzindo a intervenção do governo central.

Com isso, Tito atraiu o ódio de Stalin, que não admitia dissidências nem manifestações de autonomia. Assim, em 1948 a União Soviética rompeu relações diplomáticas com a Iugoslávia.

Apesar do rompimento, Tito conseguiu governar durante várias décadas, neutralizando as tensões entre as diversas etnias que compunham a população iugoslava.

Depois de sua morte, as diferenças étnicas e religiosas se acirram, desencadeando sérios confrontos.

O fim da Iugoslávia








Até 1991, a Iugoslávia se manteve como uma federação socialista formada pelos seis países: Sérvia, Eslovênia, Croácia, Macedônia, Bósnia-Herzegovina e Montenegro.

A mais forte e mais populosa dessas repúblicas era a Sérvia, cujos habitantes professam a religião cristã ortodoxa, em contraste com os bósnios, muçulmanos, e com aos croatas, católicos em sua maioria

A despeito dessas diferenças, a Iugoslávia permaneceu unificada durante várias décadas, sob a liderança do marechal Tito. Em 1980, porém, com a morte do líder, estabeleceu-se um sistema de rodízio de governo, pelo qual a Presidência do país passou a ser exercida, a cada ano, pelo representante de uma das repúblicas.

As guerras pela independência

Em 1991, entretanto, a Croácia e a Eslovênia se separaram da federação, declarando independência.

Em represália, o Exército iugoslavo, controlado pelos sérvios, invadiu os dois países, dando início à guerra civil. No ano seguinte, a Macedônia e a Bósnia-Herzegovina também se declararam independentes. A decisão não foi aceita pelos sérvios residentes na Bósnia, provocando uma rebelião que degenerou em violenta guerra civil o interior da república.

A Iugoslávia via-se, assim, às voltas com duas guerras civis: uma envolvendo a Sérvia, a Croácia e a Eslovênia; a outra colocando em confronto os sérvios e os bósnios na Bósnia-Herzegovina. Esses conflitos foram suspensos em 1995 através de alguns acordos de paz mediados pelos Estados Unidos.

A partir de então, a Iugoslávia ficou reduzida às repúblicas da Sérvia e Montenegro . Em 1997, teve início uma nova guerra civil envolvendo a província do Kosovo, na Sérvia. Com o fim do conflito em 1999, e o afastamento do presidente Slobodan Milosevic, a Iugoslávia ingressou finalmente na transição para a democracia.

Em fevereiro de 2003, a República Federal da Iugoslávia foi declarada extinta pelo Parlamento iugoslavo em sua última sessão.

Em seu lugar foi criado o Estado da Sérvia e Montenegro . Em 2006, os eleitores de Montenegro votaram pela independência de Montenegro da sua união com a Sérvia. Em 3 de junho de 2006, Montenegro declarou sua independência formalmente, com a Sérvia seguindo o exemplo dois dias depois.

desintegração da Iugoslávia
Imagem: Reprodução

Em 17 de fevereiro de 2008, o Kosovo declarou independência da Sérvia efetivamente, provocando a dissolução da Iugoslávia, acabando com quaisquer vestígios do antigo bloco.

Referências

História – Divalte Garcia Figueira

Sobre causas do desmembramento da Federação Iugoslava – Rodrigo Cintra

A destruição da Iugoslávia – João Quartim de Moraes

Luana Bernardes
POR LUANA BERNARDES

Graduada em História pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) e pós-graduada em Psicopedagogia Institucional e Clínica pela mesma Universidade.

Como referenciar este conteúdo

BERNARDES, Luana. Dissolução da Iugoslávia. Todo Estudo. Disponível em: https://www.todoestudo.com.br/historia/dissolucao-da-iugoslavia. Acesso em: 07 de January de 2022.

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