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Josef Stalin

 Josef Stalin (1878-1953), nascido Iosif Dugachvili, foi um político revolucionário e tirano de origem georgiana. Stalin ficou conhecido por participar ativamente da Revolução Bolchevique, realizada na Rússia em 1917, juntamente a Lenin, Trotsky e outros comunistas eslavos. Ele também foi o líder que mais tempo ficou à frente do poder supremo da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) – quase trinta anos –, tendo participado da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) nesse período.


Josef Stalin foi o líder político da URSS por quase 30 anos.



Stalin e o comunismo

O contato de Josef Stalin com o comunismo ocorreu quando ele era ainda bastante jovem. Em 1899, ainda com 21 anos, Stalin entrou para a vida clandestina em seu país natal, Geórgia, de modo a aprender técnicas de guerrilha e outros métodos revolucionários com os sociais-democratas locais, como assaltos a bancos e agências dos correios. Antes mesmo de ingressar na clandestinidade e na vida de revolucionário, Stalin entrou em contato com autores como MarxPlekhanov Lenin.

A atuação entre sociais-democratas, todavia, não foi suficiente para Stalin, que decidiu pouco tempo depois se associar aos comunistas russos, em especial aos bolcheviques, isto é, o grupo de revolucionários comandados por Vladimir Lenin.

Da Revolução Bolchevique à tirania

Stalin teve contato com os bolcheviques pela primeira vez em 1905, em um congresso realizado na Finlândia. Ainda em 1905, os membros do Partido Bolchevique conduziram a primeira tentativa de pôr abaixo o Império Russo e implementar o processo revolucionário, mas a tentativa fracassou. Stalin aproveitou a oportunidade para melhor se articular com os outros membros do Partido.

Algumas lideranças, como Leon Trotsky – que mais tarde seria o comandante do Exército Vermelho –, não viam Stalin com bons olhos. O georgiano era visto como um montanhês grosseiro e sem cultura. Por conta de suas desavenças com Stalin, Trotsky seria, mais tarde, exilado da URSS e assassinado no México, em 1940.

O fato é que Stalin passou a residir fixamente na Rússia em 1912. Nos anos que se seguiram, dedicou-se às causas do partido, até que veio o episódio da Primeira Guerra Mundial, em 1914. Esse acontecimento comprometeu seriamente o Império Russo, que saiu da guerra em 1917, antes mesmo de seu término, completamente arruinado. Os bolcheviques aproveitaram essa situação para recrutar soldados que voltavam do combate para as fileiras revolucionárias. A revolução estourou na Rússia em fevereiro de 1917, mas só foi concluída em outubro do mesmo ano.

Lenin conduziu os caminhos da revolução nos anos seguintes através de duas estratégias: o comunismo de guerra e a Nova Política Econômica. Somente em 1921 as bases para o que seria a URSS foram assentadas. O problema foi que Lenin, em 1922, começou a passar por graves problemas de saúde, o que resultou em sua morte em 1924.

Com a morte de Lenin, a disputa pela liderança da URSS foi tornando-se cada vez mais acirrada. Muitos não queriam que o posto de secretário-geral do Partido Bolchevique fosse ocupado por Stalin, nem mesmo Lenin – que havia sinalizado isso antes da morte. No entanto, Stalin acabou construindo o seu caminho até o poder total, caminho esse carregado de conspirações, pressões e assassinatos.

A partir de 1928 Stalin já tinha autonomia suficiente para promover medidas político-econômicas, coordenar a sociedade de maneira ditatorial e aniquilar inimigos.

Holodomor e o “Grande Terror”

No início da década de 1930, Stalin passou a exigir o processo de coletivização agrícola dos países vinculados à URSS. Isso implicava medidas como desapropriação de fazendas e administração estatal do que era produzido. Houve uma grande resistência da população camponesa a tais medidas, em especial na Ucrânia, país que tradicionalmente entrava (e ainda entra) em conflitos com a Rússia por questões de soberania e nacionalismo.

Para combater a resistência dos ucranianos ao processo de coletivização forçada e dar “exemplo” para os outros povos, Stalin exigiu metas de fornecimento de grãos para os camponeses ucranianos absolutamente inviáveis. Para cumprir as metas estipuladas, os camponeses tinham literalmente que deixar de comer. Quem não cumprisse a medida ou fosse flagrado escondendo comida era punido com penas como: ir para campos de trabalho forçado, deportação e fuzilamento. Milhões de ucranianos morreram de fome tentando cumprir essa meta. O episódio acabou ganhando o nome de Holodomor (morte por fome, em ucraniano), como relata Lilly Marcou:

Mais de 2 milhões foram expulsos de suas fazendas. Mais de 1,8 milhão foram deportados. Criaram-se campos de trabalho forçado para a grande maioria desses camponeses deportados – eles escavavam canais, executavam os trabalhos pesados na construção das ferrovias, derrubavam florestas. A taxa de mortalidade era altíssima. Entre 300 e 400 mil camponeses foram classificados como ''contrarrevolucionários'', e boa parte, fuzilada. O número exato é desconhecido até hoje. (MARCOU, Lilly. A vida privada de Stalin. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2013).

A partir de 1937, Stalin voltou-se contra aqueles que estavam mais próximos dele e, portanto, do poder. Nesse ano teve início o que ficou conhecido como “Grande Terror”. Com o “Grande Terror”, Stalin estimulou delações, conspirações e acusações de todo tipo a fim de incriminar qualquer pessoa – principalmente aqueles que mais lhe ofereciam risco de lhe tomar o posto – de ir contra os anseios soviéticos. Muitos companheiros antigos de revolução foram fuzilados entre 1937 e 1938. O historiador Robert Service narra como o decreto 00447 autorizava a polícia política soviética a tratar dos “antissoviéticos”:

O decreto 00447 determinava que 259.450 “elementos antissoviéticos” deveriam ser detidos. Vinte e oito por cento deles seriam executados, enquanto o restante, encaminhado para campos de trabalho forçado, onde cumpriria longas penas. Foram feitas especificações das pessoas que deveriam ser caçadas, entre as quais estava qualquer um que fosse cúlaque, padre, menchevique, socialista-revolucionário, “nacionalista burguês”, aristocrata banqueiro. Outras operações dessa espécie se seguiram. Grupos nacionais específicos, principalmente os que viviam nas regiões fronteiriças das URSS, junto a compatriotas em países limítrofes, foram os alvos: poloneses, gregos, alemães e coreanos. (SERVICE, Robert. Camaradas – uma história do comunismo mundial. Trad. Milton Chaves de Almeida. Rio de Janeiro: DIFEL, 2015. p. 179.).

Segunda Guerra e Pós-guerra

A partir de 1939, Stalin teve que lidar com problemas externos. Na verdade, uma ameça externa eminente: o nazismo. Assim como o comunismo soviético, o nazismo tinha anseios totalitários, porém de cunho nacionalista e com um viés racista central. Tanto Hitler quanto Stalin sabiam que um conflito entre ambos os projetos de poder seria inevitável. Contudo, em 23 de agosto de 1939, poucas semanas antes de a Alemanha invadir a Polônia e dar início à Segunda Guerra, Hitler e Stalin nas pessoas de seus respectivos diplomatas, Ribbentrop e Molotov, firmaram um pacto de não agressão.

Esse pacto deu margem para Hitler seguir com seus planos de “guerra-relâmpago” no front ocidental. Todavia, em 22 de junho de 1941, Hitler rompeu o pacto e deu início à Operação Barbarossa, que consistia na invasão e tomada das principais cidades da União Soviética. Com essa operação, que pegou Stalin de surpresa, a URSS passou a firmar aliança militar com os países do ocidente que lutavam contra o “eixo”, formado por Alemanha, Itália e Japão. Entre esses países, estavam os Estados Unidos e a Inglaterra, que sairiam vitoriosos.

Com o fim da guerra, em 1945, Stalin permaneceu à frente da URSS, mas em pouco tempo os delineamentos ideológicos dos soviéticos e das potências ocidentais, como EUA, mostraram-se absolutamente antagônicos e caminharam para aquilo que ficou conhecido como Guerra Fria.

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